O CRESCIMENTO DA IGREJA EVANGÉLICA NO BRASIL E SUA LEGITIMIDADE

Estarei postando alguns tópicos da minha monografia do curso de Teologia. O tema foi O Crescimento da Igreja Evangélica no Brasil e sua Legitimidade. Nesta postagem temos os tópicos: Significado de Igreja, História Resumida da Igreja, Protestantismo no Brasil e o Legítimo Crescimento.

Significado de Igreja

Igreja é uma instituição religiosa cristã, não vinculada ao estado. Uma comunidade com pessoas ligadas por uma mesma fé. Segundo o dicionário, temos ainda, as seguintes definições: templo cristão e autoridade eclesiástica[1].

Etimologicamente, é uma palavra de origem grega “ekklesia”, que traduz o termo hebraico q(e)hal Yahveh, usado entre os judeus para designar as assembleias que o povo faziam no deserto quando se reuniam aos apelos de Moisés.

“Ekklesia” é composta de dois radicais gregos: ek, que significa para fora, e klesia, que significa chamados. Logo, podemos traduzir e entender como “chamados para fora” [2].

É impressionante como esse termo “ekklesia” sintetiza de forma plena o que é ser igreja (ser chamado para fora, e levar as boas novas aos perdidos). Na passagem Bíblica de Marcos 13:1 “Ao sair Jesus do templo…”, o Senhor Jesus, demonstra na prática, com essa simples ação, como deve ser a atuação da igreja e seu chamado para fora. É algo que pode passar desapercebido, contudo, fato é que Jesus estava saindo do templo e direcionando sua atenção aos que estavam fora do aprisco.

Igualmente impressiona, como a história de alguns cristãos e de algumas igrejas percorreu o caminho inverso, preponderando um chamado para dentro, conclamando a “deixar o mundo” e não buscar relacionamentos nele, e assim considerarem “irmãos” apenas os membros do “clube santo”.

Ironicamente, a Bíblia nos diz exatamente o contrário. Analisemos a passagem de Mateus 5:13-16:

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

A serventia da luz é dissipar a escuridão e não clarear onde já existe a luz.

Já pelo contexto bíblico, a utilização do termo “igreja” refere-se à reunião de pessoas, não necessariamente associada à alguma edificação ou doutrina específica. Por toda a bíblia a palavra “igreja” aparece inúmeras vezes e sempre utilizada referindo-se à agrupamentos de cristãos.

História resumida da Igreja

A História da Igreja tem sido sempre, desde o seu nascimento até o presente, a história da graça de Deus para com o homem, e, revelada na história humana.

Os grandes períodos da história da Igreja são sete ao todo. A pré-existência da Igreja; A Igreja Apostólica, As perseguições Imperiais; A Igreja Imperial; A Igreja Medieval; A Igreja Reformada e A Igreja Atual.

O nascimento da Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de âmbito mundial, no dia de pentecostes.

Pentecostes era a segunda grande festa sagrada no ano judaico. A primeira grande festa era a Páscoa. Cinquenta dias após esta, vinha a festa de Pentecostes. Era também chamada a festa das colheitas, porque nela as primícias da sega de grãos era oferecida a Deus (Levítico 23:17). Da mesma forma, o dia de Pentecoste simboliza para a Igreja, o início da colheita de almas para Deus neste mundo[3].

Dentro dos sete grandes períodos da história da Igreja, podemos destacar alguns e suas respectivas características. São eles:

A Igreja Primitiva – Século l

No século l tivemos a influência da Igreja primitiva, quando ocorreu a fundação da Igreja em Pentecostes, e a sua expansão e perseguição. Todos os livros do Novo Testamento foram escritos neste período. Constantino oficializa o cristianismo como religião oficial. Tivemos também o Edito de Milão (liberdade religiosa no império Romano). Neste período aconteceu também o Concílio de Nicéia.

A Igreja Patrística – Séculos lV – V

Tivemos como característica da Igreja Patrística: Fundação da Igreja Católica; Instituição dos Bispos territoriais; Período de grande combate às heresias e ocorreu o Concílio da Calcedônia.

A Igreja Medieval – Séculos Vl – XVll

Tivemos como característica da Igreja Medieval: Reforma Protestante; Calvinismo; Período escuro da Igreja; Momentos monásticos; Ascenção do poder Papal; crescimento e influência da Igreja; Supremacia da Igreja sobre o Estado; Monarquismo e as Cruzadas.

A Igreja Moderna – Séculos XVll – XVlll

Tivemos como característica da Igreja Moderna: Avivamento da Igreja; Divisões denominacionais; Iluminismo; Teologia Liberal; Reforma protestante e a Reforma Calvinista.

A Igreja Contemporânea – Séculos XVlll – XX

Tivemos como característica da Igreja Contemporânea: O Pentecostalismo[4].

No início da história da igreja, pode-se dizer que havia uma supervalorização da mesma como instituição. São Cipriano, considerado um dos pais da igreja, chegou a dizer que “não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe”. Alguns séculos mais tarde, essa supervalorização mudou, e hoje, para alguns, pouco importa fazer parte ou não de uma igreja.

No entanto, acima de tudo, e apesar das inflamações, a igreja é um projeto que pertence a Deus, e como tal, jamais será uma instituição falida como prega o meio secular. Caso contrário, Deus poderia já ter decretado falência bem lá no passado, lá naquela igreja complicada, cheia de pecado e de doentes que estava em Corinto. A igreja é lugar estabelecido por Deus para unir pessoas de todos os tipos em uma única fé, para louvor e manifestação da graça de Deus.

[1] FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 915.

[2] //pt.wikipedia.org/wiki/Igreja Acesso realizado no dia 15 de setembro de 2015.

[3] Bíblia de Estudo Pentecostal. p.1630

[4] CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma história da Igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005. 507p.

Protestantismo no Brasil

No Brasil, o protestantismo chegou ainda no período colonial. A partir da abertura dos portos, muito embora o catolicismo ainda continuasse oficial, o protestantismo consolidou-se.

Com a instalação da república, quando houve a separação do estado e da religião, o protestantismo floresceu. Hoje é o segundo maior segmento religioso do Brasil, com cerca de 42,3 milhões de fiéis, o que representa 22,2% da população brasileira segundo dados que integram a públicação do último censo demográfico do IBGE em 2010[1].

Já segundo uma pesquisa mais recente, divulgada em 2014, realizada em toda a América Latina, é relatado que o número de protestantes no Brasil chegava aos 26% da população brasileira[2].

Falando em números de adeptos, entre as maiores denominações protestantes históricas do Brasil, estão: os batistas com 3,7 milhões, os presbiterianos  e os adventistas ambos com 1,5 milhão cada, os luteranos com 1 milhão e os metodistas com 340 mil[3].

E, no tocante à maiores denominações, não se pode deixar de enfatizar o pentecostalismo (ex.: Assembléia de Deus) e neopentecostalismo (ex.: Universal do Reino de Deus).

O Brasil recebeu o pentecostalismo em 1910 quando chegou a Congregação Cristã e em 1911 quando chegou a Assembléia de Deus. Algum tempo depois (1950), ocorreram transformações do pentecostalismo, em decorrência da influência de movimentos de cura divina, gerando diferentes denominações como Igreja O Brasil para Cristo e Igreja do Evangelho Quadrangular.

Já o neopentecostalismo surgiu no Brasil em 1970, com igrejas que enfatizam a teologia da prosperidade, de padrões morais menos rígidos e mais secularizadas, como por exemplo a Igreja Universal do Reino de Deus. Também aqui, algum tempo depois (1980), surgiram outras denominações neopentecostais, com um discurso ainda mais liberal, focando as classes média e alta, as quais se pode destacar a Igreja Renascer em Cristo e Igreja Evangélica Cristo Vive.

O LEGÍTIMO CRESCIMENTO

A necessidade de crescimento da igreja é legítima e necessária. Sempre foi. Mas, será que o crescimento que está ocorrendo hoje em dia é tão legítimo quanto a necessidade? Será que novos tempos requerem novos métodos? Esses e outros questionamentos nos coloca de certa forma em um conflito.

Deve-se crescer, mas, não a todo custo. Esse conflito não deve ser considerado unicamente danoso, e pode ser encarado também de forma positiva. Afinal, o modo como é enfrentado e administrado o conflito irá influenciar diretamente em seu resultado.

As mudanças sociais impostas pelas últimas décadas trouxeram consigo novas realidades para todos nós, e isso não foi diferente com a igreja. Essas novas realidades chegaram trazendo novos desafios e possibilidades, que necessitam ser cuidadosa e criticamente analisadas na busca por uma igreja relevante.

Há algumas décadas, a preocupação da igreja evangélica no Brasil basicamente se resumia em lutar por sua transformação política e social. Conquistado esse patamar político social, a preocupação se voltou para seu crescimento e sua presença na sociedade, inovando e modernizando.

Buscar o crescimento da igreja é relevante e certamente abre numerosas portas para um mundo novo. Lado outro, pode também abrir algumas brechas, correndo o risco de se comprometer com os atrativos da era moderna. Sendo assim, torna-se necessário discernir sobre esses riscos e o que eles podem representar para o futuro do cristianismo.

A expressão “crescimento” pode ser compreendida em dois termos, quantitativos e qualitativos. E é exatamente essa questão que o presente trabalho pretende enfatizar. A legitimidade do crescimento. Ou seja, a igreja evangélica está crescendo no Brasil sim, mas, em qual termo? Quantitativo (número de membros, número de templos, orçamento, projetos) ou qualitativo (autenticidade, maturidade, caráter, profundidade)?

Ambos modos de crescimento são importantes é claro, e, um não necessariamente invalida o outro. Absolutamente. Entretanto, impende salientar que, embora um crescimento quantitativo desperte fascínio e prestígio em função de uma visibilidade secular maior, nem sempre promove um crescimento espiritual e qualitativo. E, é justamente aqui que a igreja pode incorrer em um grave risco já alertado por Jesus através da parábola da casa edificada na rocha: o de se construir a casa (igreja) sobre a areia e não sobre a rocha.

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as observa, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. Desceu a chuva, vieram as correntes, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela não caiu; pois estava edificada sobre a rocha. 26. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as observa, será comparado a um homem néscio, que edificou a sua casa sobre a areia. Desceu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu: e foi grande a sua ruína” Mateus 7:24-25.

[1]ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Caracteristicas_Gerais_Religiao_Deficiencia/tab1_4.pdf) Acesso realizado no dia 15 de setembro de 2015.

[2]//www.christianitytoday.com/gleanings/2014/november/sorry-pope-francis-protestants-catholics-latin-america-pew.html?paging=off Acesso realizado no dia 15 de setembro de 2015.

[3]//www.executivaipb.com.br/site/estatisticas/estatistica_2011.pdf e//pt.wikipedia.org/wiki/Protestantismo_no_Brasil Acesso realizado no dia 15 de setembro de 2015.

 

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