EPÍSTOLAS PAULINAS – I CORÍNTIOS

EPÍSTOLAS PAULINAS

I CORÍNTIOS

Paulo escreveu a Primeira Carta aos Coríntios a fim de tratar de várias questões que estavam causando dificuldades para os cristãos de Corinto. Havia problemas a respeito de doutrinas, de comportamento nos cultos de adoração e questões práticas a respeito da vida cristã, especialmente a maneira de os cristãos se relacionarem com os pagãos. Os problemas eram tão sérios que, finalmente, os coríntios escreveram uma carta a Paulo pedindo a sua opinião sobre vários assuntos (7.1); do cap. 7 em diante Paulo escreve o que pensa sobre esses assuntos.

Conteúdo do livro

Depois da saudação normal paulina e o dar graças pela igreja em Corinto (1:1-9), Paulo escreve acerca das divisões na igreja (1:10-4:21). Esta informação havia sido dada por membros da família de Cloé (1:11). Paulo demonstra que o”espírito de partidos” dentro da comunidade cristã é incompatível com o espírito de amor (1:12-16), não está de acordo com os princípios básicos do evangelho (1:17-3:4), tampouco está baseado no propósito de Deus de prover ministros para a igreja.

O material de (5:1-6:20) aparentemente fora mencionado na “carta anterior”, mas havia sido compreendido erroneamente. Isto é em especial verdadeiro quanto à imoralidade gritante (5:1-8). Tal pecado flagrante deveria ter sido tratado e condenado através de ação disciplinar adequada, para prevenir tal propagação de pecado por toda a igreja e a destruição do poder do evangelho na comunidade (5:6-8). A imoralidade simplesmente não pode ser tolerada dentro do corpo da igreja (5:9-13), e o litígio entre cristãos perante tribunais pagãos é inconcebível (6:1-11). O pecado do orgulho e insistência sobre o direito de alguém é tão imoral para o cristão quanto o é a fornicação (6:12-20). O cristão individualmente e os cristãos coletivamente formam um templo para o uso exclusivo do Espírito Santo (6:19,20). O capítulo 7 foi escrito em resposta a uma pergunta da igreja (7:1). Cláudio havia estabelecido uma lei que exigia que as pessoas se casassem; todos os solteiros teriam que pagar um imposto. O governo romano estava tentando dominar as condições imorais do Império, e pensou que uma maneira de fazer isto era estabilizar a situação da família. Também os judeus achavam uma desgraça uma mocinha de quinze anos ou um jovem acima de vinte não serem casados. A pergunta da igreja em Corinto foi: “É certo um cristão (especialmente um homem) não se casar?” Ao responder, Paulo escreve que é certo permanecer solteiro (7:1). Deve-se observar que Paulo não usa o comparativo aqui. Também em 7:6, vê-se que esta é a opinião de Paulo, e não uma ordem expressa do Senhor. Devido à prevalência da fornicação por toda parte em Corinto, seria melhor, diz Paulo, pelo testemunho da igreja, que os homens se casassem. Casar ou não casar, contudo, deve ser determinado, procurando-se a vontade de Deus em cada caso (7:7). Em se tratando de casamentos mistos, aqueles em que um dos cônjuges se torna um crente depois de ter casado, o peso de dissolver-se o casamento cai sobre o cônjuge não crente (7:8-24). É logicamente admitido no Novo Testamento que um cristão jamais deve entrar numa relação tal com um não crente que possa levar ao casamento; um cristão simplesmente não pode casar-se com um não cristão. Cada coisa relacionada com o casamento e a vida familiar deverá ser tratada à luz da vontade de Deus para cada situação (7:25-40).

Outra pergunta dirigida a Paulo tinha a ver com o comer carne (8:1). Para se entender a resposta de Paulo, é necessário conhecer-se o costume que havia em Corinto acerca de vender-se carne. Normalmente, qualquer pessoa que tinha um animal para vender, primeiramente o levaria a um dos templos pagãos e o ofereceria como um sacrifício ao ídolo pagão. Os trabalhadores do templo ficariam com uma parte e o proprietário, então, pegaria as partes restantes e as venderia no mercado. Frequentemente os trabalhadores do templo também vendiam o que haviam recebido. Qualquer pessoa que comprasse carne nos açougues (10:25) não poderia saber se a carne havia ou não sido primeiramente dedicada a um ídolo. Nesta passagem, Paulo acentua os princípios da liberdade cristã e da responsabilidade cristã. Ele primeiro estabelece o princípio da liberdade cristã quanto ao temor dos ídolos (deuses pagãos que não são deuses), lembrando que há, na realidade, um só Deus (8:3-6). Contudo, este conhecimento da liberdade cristã impõe certas responsabilidades. O princípio, em toda parte, é que a liberdade de um cristão forte na fé deve ser voluntariamente cedida para ajudar o irmão que tem uma fraca consciência (8:7-13). Como exemplo desta entrega de direitos, Paulo diz que ele não insistia em ter os direitos de um apóstolo quando ele trabalhou entre eles (9:1-27). Não existe, escreve Paulo, nenhum lugar, na vida de um seguidor de Cristo, para o orgulho ou insistência sobre os direitos de liberdade próprios (9:23-27), por causa de possíveis consequências trágicas, conforme vistas no exemplo de Israel (10:1-13). O princípio geral a seguir é que um cristão não deve tomar parte em nenhuma atividade em honra de um deus pagão. Na sua própria casa, a pessoa pode comer, dando graças, qualquer carne comprada nos mercados (10:25,26). Se for feita uma pergunta acerca da origem da carne, é melhor não comer (10:28-31). A liberdade que a pessoa tem em Cristo deve ser limitada pelo princípio de amor e preocupação pelo desenvolvimento espiritual de seu irmão. Paulo teve sua atenção chamada para desordens na adoração comum da igreja, e ele escreve sobre isto em 11:2-14:40. Primeiro ele escreve sobre o papel das mulheres na adoração pública (11:2-16). Esta passagem deve ser lida e entendida à luz da situação histórica de Corinto. Por causa do papel das mulheres na adoração licenciosa no templo de Afrodite, como “prostitutas sagradas” e sacerdotisas, qualquer ajuntamento no qual as mulheres tomassem uma parte importante era suspeita. O cabelo curto era indicação de que a mulher era ou havia sido uma das adoradoras daquela deusa. Seu papel como sacerdotisa permitia-lhe ser voz ativa nos ajuntamentos públicos. Paulo diz que, a fim de evitar qualquer confusão da adoração de Afrodite com a de Jesus Cristo, uma mulher cristã não deveria nem cortar seu cabelo curto nem falar numa assembleia cristã. O princípio é que não deveria haver absolutamente nenhuma confusão da adoração de Deus com a de qualquer deidade pagã, na mente de nenhuma pessoa que visitasse uma adoração cristã pública. Outra desordem tinha a ver com a maneira pela qual os Coríntios celebravam a Ceia do Senhor (11:17-34). A igreja em Corinto era composta de ricos e de pobres igualmente. Era o costume de a igreja primitiva ter um jantar que seria seguido pela Ceia do Senhor. Durante o jantar, os membros abastados comeriam até encher, enquanto os membros mais pobres eram solicitados a ficar de lado (11:20-22). Depois da refeição, os membros pobres então seriam convidados a participar com os membros ricos na Ceia do Senhor. Paulo escreve que isto é incompatível com o significado real da Ceia do Senhor (11:20-34). Participar com tais divisões é celebrar de uma maneira indigna, e isto é pecado, porque o corpo de Cristo (a Igreja) não é discernido (11:27-30). Se não puder ser fornecida comida para todos os presentes, então a “festa de amor” deve ser dispensada e somente a Ceia do Senhor celebrada, em demonstração da unidade e unicidade do Corpo de Cristo (11:34).

Outro caso de desordem na adoração pública é tratado nos capítulos 12 a 14. O problema parece ser mais com membros “espirituais” do que acerca dos “dons” (12:1-3; 14:37-40). Aqueles que afirmavam ter alcançado um nível superior de “espiritualidade” desejavam demonstrar seu crescimento avançado através de uma mostra pública de seus “dons espirituais”. Paulo escreve que os dons de Deus para a igreja, através de membros individuais, são para a igreja inteira, e não para a glória pessoal de algum único membro (12:4-30). A espiritualidade não se vê nas consecuções de uma pessoa, mas, antes, na utilidade de uma pessoa em despreender-se para ajudar o corpo da igreja inteira, através do amor auto-sacrificial (12:31-13:13).

De fato, o mais observável e mais evidente dos dons (falar em línguas) é o menos proveitoso de todos para a adoração pública (14:19,23). A adoração cristã pública deverá ser feita com decência, com tão pouca confusão quanto possível e com entendimento, a fim de que todos possam glorificar a Deus através do Senhor Jesus Cristo (14:26-40). A importância e natureza da ressurreição é tratada no capítulo 15. Paulo dá ênfase à importância da ressurreição como sendo central na mensagem cristã (15:1-12). Fora da ressurreição real de Jesus, não pode haver um lar para o cristão (15:13-19). A dúvida acerca da ressurreição do corpo vem da ideia grega sobre a inerente natureza má da carne. A filosofia grega, numa tentativa de explicar a origem do mal e por que os homens sofrem, afirmava que a alma, sendo imortal, torna-se presa na prisão de carne, o corpo. O universo físico, e, portanto, a carne, é criação de espíritos maus. A salvação só pode ocorrer quando a alma, tendo obtido conhecimento suficiente acerca dos mistérios do universo, é liberta do ciclo interminável de reencarnações e é absorvido finalmente no remoto Deus, o Primeiro movedor.

Paulo insiste que Deus é o Criador do universo e que o corpo é bom, não mau em si. Na ressurreição, este corpo carnal (adaptado agora para esta esfera) deve ser transformado em um corpo adaptado para a esfera do céu (15:20-50). A certeza da mensagem cristã é que, exatamente como Jesus ressuscitou do túmulo (15:20-28), da mesma forma o corpo do crente será transformado, para ser igual ao do Senhor ressurrecto (15:51-54). Esta salvação não depende do conhecimento de uma pessoa, mas se apoia na relação da pessoa para com o Senhor Jesus Cristo, através de quem se tem a vitória sobre o pecado, a morte e a sepultura (15:54-58). É feita menção em 16:1-4 acerca da oferta a ser coletada e mandada para os cristãos pobres de Jerusalém. Após escrever acerca de seus planos pessoais de viagem para visitar Corinto e Macedônia (16:5-9), Paulo indica seu envio de Timóteo para chegar a Corinto após esta carta (16:10-13). Paulo então conclui a carta com saudações pessoais, uma advertência final e uma bênção.

Fonte: Seminário Teológico Koinonia

Igreja Batista Getesêmani

Um Abraço,

Pregador Jefferson Assis

Compromisso com a obra de Deus e certeza do seu chamado!

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